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Miragem

Eis o Juca contando como foi criada a canção “Miragem”, uma de suas favoritas.

Num sábado ensolarado de 2001, cheguei à Gargolândia de manhã, e o Rafael estava tocando piano. Mal entrei, e ele me mostrou o início de uma melodia linda que tinha começado a criar. Não costumo letrar melodias de pronto, normalmente faço esse trabalho solitariamente. Mas tive um impulso ali, na hora, e comecei a escrever uma letra, que começava com os versos “ainda te alcanço, ainda te espero, e nunca me canso de te esperar”, sobre uma pessoa que não consegue se esquecer da sua paixão, enquanto o tempo vai passando.

O Rafael evoluiu na melodia e eu na letra, e em poucas horas a música ficou praticamente pronta. Mas faltava alguma coisa. Foi quando chegou a Rita e logo em seguida o Edu, que sugeriu uma parte “b”, tão bonita como a primeira, começando de uma região mais grave. A Rita começou a letrar, criando a estrofe que começa com “tanto querer, tens o que resta de mim”. Coisa de poeta. No final do dia, tínhamos a canção pronta, concluída numa rara quadriceria.

Uma das músicas que mais gosto de lembrar, tanto pelo conteúdo, como pela forma como foi criada.

Dois anos depois, produzi o “Pescador da lua”, disco do Rafael com a primeira gravação dessa nossa “Miragem”, com arranjo do Dino Barioni. Mauro Dias gostava muito dessa canção, e da gravação.

Ouçam!

Miragem
(Rafael Alterio (Garga)/Juca Novaes/Eduardo Santhana/Rita Altério)

Ainda te alcanço
ainda te quero
e nunca me canso
de te esperar
no céu de janeiro
a luz do cruzeiro lá
os dias avançam
ainda te espero
meu amor sincero
pra te entregar
no céu fevereiro
no peito um braseiro está
queimando por te encontrar

Tanto querer
tens o que resta de mim
mas qual o que
desejo teus beijos por fim
clara
vem a noite e me leva ao devaneio
ou será é real mas não creio, receio

E vou nesse passo
nas águas de março
no tempo e no espaço
a me torturar
abril, maio, junho
te vejo, suponho, vens
mas é só um sonho
o fim da estiagem
em julho, miragem no teu lugar
agosto, setembro
no sol de dezembro
já nem lembro do teu olhar

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“Lembrei de você” de Juca Novaes

“Lembrei de você” é a canção mais antiga que Juca Novaes registrou no CD “Goa”. Composta em 1993, essa canção romântica só foi gravada dezessete anos depois, em 2010. A letra fala de um amor que se foi, deixando marcas de boa saudade (“nessa longa caminhada meu coração preservei / ele me diz que te guarda, e eu te guardarei”). Desde o início, foi classificada como uma obra próxima do universo de Dorival Caymmi, e “diferente” dentre as canções de Juca. Por isso, não se encaixou em nenhum dos discos autorais que gravou nos anos 1990. Quando finalmente decidiu grava-la,  teve a ideia de fazer uma citação de “Marina”, do grande Caymmi,  no meio de “Lembrei de você”. Mais do que isso : convidou o amigo e grande músico Danilo Caymmi, filho de Dorival, para também cantar na gravação, apenas com o piano de Zé Godoy e as cordas arranjadas por Pichu Borrelli. E Danilo arrasou, cantando a segunda parte da canção. É a gravação que encerra com chave de ouro o eclético “Goa”, e que vocês poderão ouvir.

LEMBREI DE VOCÊ (Juca Novaes)

Tão de repente, nem sei lembrei de você

faz tanto tempo, bem sei mas foi tão bom

os seus carinhos, carícias e o dia já terminou

as nossas noites, delícias tanta coisa ficou

hoje são duas estradas  e tantos nós

mas tantas vezes do nada ouço a sua voz

nessa longa caminhada meu coração preservei

ele me diz que te guarda e eu te guardarei

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“Primeira” de Juca Novaes e Felipe Radicetti

“Primeira” é uma parceria de Juca Novaes com o compositor, tecladista e ativista cultural carioca Felipe Radicetti, que a incluiu no seu álbum “Sagrado Profano”, de 2009.
Felipe convidou os Trovadores Urbanos, grupo do qual Juca faz parte ao lado de Eduardo Santhana, Valéria Caram e Maída Novaes, para interpretar a canção, que fala de um tema universal : o primeiro amor. O resultado, como vocês poderão ouvir, foi uma gravação diferente da natureza “acústica” dos trovadores, com um arranjo de timbres eletrônicos muito bem feito por Felipe. Ouçam como ficou.
PRIMEIRA
Juca Novaes e Felipe Radicetti
O primeiro olhar foi como flecha tão certeira
O primeiro toque teu veneno, feiticeira
Primeira lua cheia
Primeira brincadeira
A primeira vez foi uma festa em meu coração
O primeiro beijo acendeu tantas fogueiras
O primeiro amor assim de todas as maneiras
Estradas, cachoeiras
A pressa e as promessas
As primeiras juras, o primeiro desamor
O primeiro norte
O primeiro corte
Foi você, primeira morte
O primeiro sonho, tua vida por inteira
O primeiro fogo nos teus braços, companheira
Primeiras rezadeiras
Ciganas, benzedeiras
Primeiras alianças
E o primeiros dissabor
A primeira rima
O primeiro clima
Foi você primeira sina
A primeira dança
A primeira vez
Meu primeiro algoz, o primeiro amor
Ficou na poeira
Foi na corredeira

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Kathmandu

Em 1995, Juca estava preso no trânsito de São Paulo, após um temporal que inundou a cidade. Com o rádio ligado, ouviu uma entrevista do então prefeito Paulo Salim Maluf, que dentre outras pérolas, afirmava que “trânsito é sinal de progresso” e “quem não gosta de trânsito que vá pra Kathmandu, no Nepal”. Imediatamente, começou a escrever a letra de uma canção que foi terminada com Eduardo Santhana, e virou o funk “Kathmandu”, que deu nome ao disco da dupla Juca e Edu, em 2000. Quem também gravou muito bem a música foi Jane Duboc, com arranjo e violões do mestre Arismar do Espírito Santo. Aqui vamos relembrar a versão da dupla, com arranjo de Pichu Borrelli e Sérgio Bello.

KATHMANDU
Engarrafou o dia na cidade nervosa
e o rádio anuncia que o mundo já parou
Já parou
Em uma tarde punk, perdida, perigosa
A água invadindo e a minha luz apagou
Por todos os caminhos
Qualquer das direções
A marcha do progresso
Não aponta soluções
Pra baixo do tapete
Uma idéia surreal
Quem não gostou, que embarque
Num foguete pro Nepal
Todo mundo indo embora pra Kathmandu
Kathmandu, Kathmandu
As marginais não param lá em Kathmandu
Kathmandu, Kathmandu
A vida é bem melhor em Kathmandu
Sem esses governantes cá da América do Sul

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“Peregrino” de Juca Novaes e Eduardo Santhana

Em 1994, Juca Novaes e Eduardo Santhana criaram uma canção, com o objetivo de ser gravada no disco que os Trovadores Urbanos preparavam (disco esse que saiu em 1995 com o título de “Serenata”). A canção foi inspirada no universo das serenatas, e não apenas foi incluída no disco do grupo, como também passou a fazer parte das serenatas dos trovadores, sendo cantada, desde então, em centenas e milhares de residências, nos últimos 21 anos. Por essa razão, é uma das mais conhecidas criações da dupla, embora muitos não saibam da sua verdadeira autoria. Essa canção, intitulada “Peregrino”, também foi gravada por Lucila Novaes, no seu primeiro CD, “Frestas de céu” (1997), com arranjo de Ítalo Peron.

Peregrino
Vim te buscar na luz clara do farol
que ilumina a noite
segui teu lume oh lua com luz de sol
tão logo o dia se foi
te trouxe a palavra derradeira
vim minha estrela derradeira
como um peregrino saído da escuridão
vim depois de todas as trincheiras
vim pois te busquei a vida inteira
vim como um menino
que encontra o seu coração.

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