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SETE VIDAS

Imagine você chegando ao balcão de um bar para pedir uma bebida. Como num filme. E aí percebe que, do seu lado, está a sua ex, fingindo que não te viu, e com um novo amor. Uma cena como essa só poderia resultar num blues, parceria de Juca Novaes com Rafael Altério, incluida no DVD/CD “Goa ao vivo”, com a especialíssima participação especial de Lucila Novaes.
Realmente, pra quem vai morrer de amor, são necessárias, no mínimo, sete vidas.
SETE VIDAS
teu vulto vem como assombração
da fumaça ou da luz do bar
ou vem surgindo então desse whisky com guaraná
não, mas não é alucinação
e vem pra me provocar
bem do meu lado
fingindo não ver
e vem com outro amor (com novo amor)
quer me matar !
vem surgindo com novo amor (com novo amor)
quer me matar !
e cada beijo é um bofetão
é pimenta de vatapá
pros meus olhos que em vão
teimam em não chorar
mas vou engolir essa aparição
ah meu senhor do Bonfim
de novo exorcizar,
devorar cada trago do fim
é só mais uma a mais
é outra dor
mais uma dose de gim
São sete vidas pra quem vai morrer de amor
sempre acaba no mesmo fim
gato escaldado querendo fugir da dor
sem amor tudo é tão ruim
são mil saídas pra quem tem um novo amor
nova flor no velho jardim
a mesma dor que começa
e sempre acaba no mesmo copo de gim.

 

 

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“Eu te amo sua louca”

“Eu te amo sua louca” poderia ser o título de um pagode, ou de uma faixa de um disco de uma dupla de sertanejo universitário. É certo que ela quase foi gravada por uma importante dupla do gênero, mas é o título de uma canção romântica, que Juca Novaes compôs com Eduardo Santhana, e que gravou nos discos “Goa” e “Goa ao vivo”.

A utilização do inusitado adjetivo “louca” para declarar o sentimento pela musa inspiradora atrai o advérbio “loucamente”, modificando o sentido literal da palavra, e trazendo um colorido mais rico e poético à declaração de amor.
“Eu te amo sua louca” acaba de ser gravada pelos Trovadores Urbanos em seu CD/DVD “Ao vivo no auditório Ibirapuera”. A gravação que vocês vão ouvir é do DVD “Goa ao vivo”, interpretada por Juca, e gravada no Sesc Vila Mariana, em São Paulo
EU TE AMO SUA LOUCA (Juca Novaes/ Eduardo Santhana)
Nem precisa dizer
lindas bobagens sem sentido
beijo na minha boca
frases no meu ouvido
nem precisa falar
e o mundo fica mais bonito
entrando no meu carro
naquele seu vestido
quando assim do nada
vem a sua gargalhada sem motivo
quando mais e mais eu me convenço
que sem você eu não vivo
eu te amo sua louca
louca, louca, loucamente
eu te quero sua louca
te ganhar completamente
eu te amo sua louca
louca, louca, loucamente
eu te quero sua louca
te ganhar completamente

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TALISMÃ

“Talismã” é uma das parcerias de Juca Novaes com Rafael Altério, e foi criada numa safra que também produziu “Quem viver verá” e “Sete vidas”, ambas gravadas no disco “Goa”.

“Talismã” foi gravada antes (no álbum “Kathmandu”, 2000), e se tornou o sucesso radiofônico do disco. A introdução no acordeon é de Cesar do Acordeon. Arranjo, baixo e guitarra de Sérgio Bello, bateria de Lael Medina, e Juca no piano e voz.

A letra celebra o amor que é como um talismã, um xamã, uma chama que chama o prazer.

Propícia para uma noite de inverno, não acham ?
TALISMÃ

(Rafael Altério / Juca Novaes)

Teu amor é talismã

é como o sol no meio da noite
é queijo branco de manhã, mel depois
é gol no Maracanã
eu bêbado de um vinho divino
driblando como campeão meu destino

teu amor é meu xamã
é chama que chama o prazer
todo doce que Deus oferecer
fruta boa, cobertor de lã
pra nos aquecer
revelando meu amor por você

Flor de hortelã
luz guardiã
minha canção do amanhã, viu
todo meu amor por você

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Djanira

Djanira

No dia 20 de junho de 1914 – há exatamente 102 anos, portanto – nasceu Djanira, a maior artista nascida em Avaré. Pintora, desenhista, cartazista e gravadora, foi considerada uma das mais importantes artistas brasileiras do século 20, e a mais autenticamente brasileira, dentre nossas pintoras. Sua trajetória foi admiravelmente registrada no livro “História de Djanira, brasileira de Avaré”, de Gesiel Junior. Em 2001, quando Juca voltou a dirigir a Fampop Avaré, utilizou como cartaz do evento a imagem do quadro “Orfeu”, que Djanira criara para o musical “Orfeu da Conceição”, de Vinicius de Moraes. Em 2009, em seu disco “Aldeia”, gravou uma homenagem à sua conterrânea, composta em parceria com Eduardo Santhana.
Ouçam: http://goo.gl/ay2CoU

DJANIRA
(Juca Novaes / Eduardo Santhana)

As linhas, as luzes, matizes
os traços, as formas, matrizes
a casa na praça, alvores
auroras, poentes, mil cores

a alma prepara, inventa
lavouras, calvários, tormentas
um povo tão simples nas telas
que vidas as tintas revelam

sofrida, vivida, guerreira
coragem a vida inteira
as mãos, os pincéis, descobertas
milagres, as portas abertas

divina, menina, senhora
pintando, rompendo a aurora
que brilho as luzes acesas
no morro de Santa Tereza

Mira admira
a beleza da vida nas cores, Djanira

Vira e revira
e revela os nossos amores, Djanira

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Miragem

Eis o Juca contando como foi criada a canção “Miragem”, uma de suas favoritas.

Num sábado ensolarado de 2001, cheguei à Gargolândia de manhã, e o Rafael estava tocando piano. Mal entrei, e ele me mostrou o início de uma melodia linda que tinha começado a criar. Não costumo letrar melodias de pronto, normalmente faço esse trabalho solitariamente. Mas tive um impulso ali, na hora, e comecei a escrever uma letra, que começava com os versos “ainda te alcanço, ainda te espero, e nunca me canso de te esperar”, sobre uma pessoa que não consegue se esquecer da sua paixão, enquanto o tempo vai passando.

O Rafael evoluiu na melodia e eu na letra, e em poucas horas a música ficou praticamente pronta. Mas faltava alguma coisa. Foi quando chegou a Rita e logo em seguida o Edu, que sugeriu uma parte “b”, tão bonita como a primeira, começando de uma região mais grave. A Rita começou a letrar, criando a estrofe que começa com “tanto querer, tens o que resta de mim”. Coisa de poeta. No final do dia, tínhamos a canção pronta, concluída numa rara quadriceria.

Uma das músicas que mais gosto de lembrar, tanto pelo conteúdo, como pela forma como foi criada.

Dois anos depois, produzi o “Pescador da lua”, disco do Rafael com a primeira gravação dessa nossa “Miragem”, com arranjo do Dino Barioni. Mauro Dias gostava muito dessa canção, e da gravação.

Ouçam!

Miragem
(Rafael Alterio (Garga)/Juca Novaes/Eduardo Santhana/Rita Altério)

Ainda te alcanço
ainda te quero
e nunca me canso
de te esperar
no céu de janeiro
a luz do cruzeiro lá
os dias avançam
ainda te espero
meu amor sincero
pra te entregar
no céu fevereiro
no peito um braseiro está
queimando por te encontrar

Tanto querer
tens o que resta de mim
mas qual o que
desejo teus beijos por fim
clara
vem a noite e me leva ao devaneio
ou será é real mas não creio, receio

E vou nesse passo
nas águas de março
no tempo e no espaço
a me torturar
abril, maio, junho
te vejo, suponho, vens
mas é só um sonho
o fim da estiagem
em julho, miragem no teu lugar
agosto, setembro
no sol de dezembro
já nem lembro do teu olhar

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“Lembrei de você” de Juca Novaes

“Lembrei de você” é a canção mais antiga que Juca Novaes registrou no CD “Goa”. Composta em 1993, essa canção romântica só foi gravada dezessete anos depois, em 2010. A letra fala de um amor que se foi, deixando marcas de boa saudade (“nessa longa caminhada meu coração preservei / ele me diz que te guarda, e eu te guardarei”). Desde o início, foi classificada como uma obra próxima do universo de Dorival Caymmi, e “diferente” dentre as canções de Juca. Por isso, não se encaixou em nenhum dos discos autorais que gravou nos anos 1990. Quando finalmente decidiu grava-la,  teve a ideia de fazer uma citação de “Marina”, do grande Caymmi,  no meio de “Lembrei de você”. Mais do que isso : convidou o amigo e grande músico Danilo Caymmi, filho de Dorival, para também cantar na gravação, apenas com o piano de Zé Godoy e as cordas arranjadas por Pichu Borrelli. E Danilo arrasou, cantando a segunda parte da canção. É a gravação que encerra com chave de ouro o eclético “Goa”, e que vocês poderão ouvir.

LEMBREI DE VOCÊ (Juca Novaes)

Tão de repente, nem sei lembrei de você

faz tanto tempo, bem sei mas foi tão bom

os seus carinhos, carícias e o dia já terminou

as nossas noites, delícias tanta coisa ficou

hoje são duas estradas  e tantos nós

mas tantas vezes do nada ouço a sua voz

nessa longa caminhada meu coração preservei

ele me diz que te guarda e eu te guardarei

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Kathmandu

Em 1995, Juca estava preso no trânsito de São Paulo, após um temporal que inundou a cidade. Com o rádio ligado, ouviu uma entrevista do então prefeito Paulo Salim Maluf, que dentre outras pérolas, afirmava que “trânsito é sinal de progresso” e “quem não gosta de trânsito que vá pra Kathmandu, no Nepal”. Imediatamente, começou a escrever a letra de uma canção que foi terminada com Eduardo Santhana, e virou o funk “Kathmandu”, que deu nome ao disco da dupla Juca e Edu, em 2000. Quem também gravou muito bem a música foi Jane Duboc, com arranjo e violões do mestre Arismar do Espírito Santo. Aqui vamos relembrar a versão da dupla, com arranjo de Pichu Borrelli e Sérgio Bello.

KATHMANDU
Engarrafou o dia na cidade nervosa
e o rádio anuncia que o mundo já parou
Já parou
Em uma tarde punk, perdida, perigosa
A água invadindo e a minha luz apagou
Por todos os caminhos
Qualquer das direções
A marcha do progresso
Não aponta soluções
Pra baixo do tapete
Uma idéia surreal
Quem não gostou, que embarque
Num foguete pro Nepal
Todo mundo indo embora pra Kathmandu
Kathmandu, Kathmandu
As marginais não param lá em Kathmandu
Kathmandu, Kathmandu
A vida é bem melhor em Kathmandu
Sem esses governantes cá da América do Sul

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“Peregrino” de Juca Novaes e Eduardo Santhana

Em 1994, Juca Novaes e Eduardo Santhana criaram uma canção, com o objetivo de ser gravada no disco que os Trovadores Urbanos preparavam (disco esse que saiu em 1995 com o título de “Serenata”). A canção foi inspirada no universo das serenatas, e não apenas foi incluída no disco do grupo, como também passou a fazer parte das serenatas dos trovadores, sendo cantada, desde então, em centenas e milhares de residências, nos últimos 21 anos. Por essa razão, é uma das mais conhecidas criações da dupla, embora muitos não saibam da sua verdadeira autoria. Essa canção, intitulada “Peregrino”, também foi gravada por Lucila Novaes, no seu primeiro CD, “Frestas de céu” (1997), com arranjo de Ítalo Peron.

Peregrino
Vim te buscar na luz clara do farol
que ilumina a noite
segui teu lume oh lua com luz de sol
tão logo o dia se foi
te trouxe a palavra derradeira
vim minha estrela derradeira
como um peregrino saído da escuridão
vim depois de todas as trincheiras
vim pois te busquei a vida inteira
vim como um menino
que encontra o seu coração.

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