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Juca Novaes retoma seu lado compositor em ‘Regalos’

regalos

O blog da Folha publicou uma matéria muito completa sobre Regalos, que transcrevo parcialmente aqui. Pra quem quiser ler o original segue o link abaixo

Carlos Bozzo Junior – https://musicaemletras.blogfolha.uol.com.br/2020/10/13/juca-novaes-retoma-seu-lado-compositor-em-regalos/

“Regalos” é o nome do recém-lançado CD autoral do cantor e compositor Juca Novaes. São 11 canções do músico, que é um dos fundadores do Trovadores Urbanos e tem dezenas de músicas gravadas, algumas delas por nomes importantes da MPB como Jane Duboc e Alaíde Costa. Entre as músicas que compõem o repertório de “Regalos” há parcerias com Barbara Rodrix, Otávio Toledo, Alexandre Lemos, Rafael Altério, Sonekka, Eduardo Santhana e o uruguaio Diego Drexler.

O disco foi produzido por Alexandre Fontanetti, que já trabalhou com Rita Lee, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Nando Reis, e produziu “Goa” e “Goa ao vivo”, discos de Juca Novaes que antecederam “Canções de Primeira” volumes 1 e 2, nos quais o artista atua como intérprete.

Em “Regalos”, Juca Novaes faz um registro de sua obra como compositor. O disco foi gravado aos poucos, num intervalo de quase três anos. São canções de gêneros diferentes, que passeiam pela toada, blues, pop, canções de amor. Das 11 faixas, 5 são de Novaes sozinho, e as outras 6 compostas com parceiros diversos.

O advogado e integrante fundador dos Trovadores Urbanos, Juca Novaes (Foto: Carlos Bozzo Junior/Fohapress)
O artista fez um faixa a faixa do álbum “Regalos”, com exclusividade para o internauta do Música em Letras.

CD REGALOS DE JUCA NOVAES

1-“Regalos”, de Ize Novaes, Paulo Novaes, Lucas Caram e Juca Novaes

“O disco abre com uma parceria familiar: música de meu irmão Ize e meus sobrinhos Paulo e Lucas e letra minha. Fiz a letra em cima da melodia, que foi criada num encontro da família. A letra é inspirada numa frase popular que minha vó sempre dizia : ‘O que é do gosto, regalo da vida’. A letra fala dos presentes que a vida guardou para ser colhido em um determinado momento ‘sedas e veredas, alamedas, girassóis / ouro, incenso e mirra / onde couber nossa voz’. A família está em peso no coro, e eu divido a interpretação com minha irmã Lucila Novaes e minha sobrinha Bruna Caram. O arranjo abre com o bandolim de Fábio Peron. A melodia tem uma extensão muito grande, começa no grave, vai para uma região bem aguda, por isso o convite para que as vozes femininas solassem a segunda parte, num trecho que é muito agudo para a minha voz. Como não faltam cantores na família, foi fácil.”

2-“É do Amor”, de Juca Novaes

“A letra dessa canção faz parte de um livro de poemas que fiz para minha então namorada -hoje minha esposa-, Vera. Em 2017, estávamos em Lisboa, num quarto de hotel, e eu musiquei esse poema, que fala de amor e saudade. Foi uma parceria minha comigo mesmo. É uma crônica de minha vida em São Paulo naquele ano, em que eu trabalhava na Liberdade, e almoçava todos os dias num restaurante japonês. Depois do almoço, invariavelmente eu comia aquele chocolate ‘Alpino’, e a saudades da namorada, que morava em Avaré, sempre presente. A letra retrata exatamente isso : ‘meio do dia saudade / o sol a pino saudade / comendo um japa saudade / e um alpino saudade’. Uma canção delicada, que imaginei com um arranjo de cordas, que acabou sendo feito magistralmente pelo meu amigo Pichu Borrelli, um músico e arranjador extraordinário.”

3-“Meu Anti-I Love You”, de Juca Novaes

“É um blues, cuja letra compara o fim de um romance às maiores tragédias possíveis: ‘o meu 11 de setembro / meu dia de Waterloo / minha queda da Bastilha / meu anti-I love you’. Tsunami, rebelião, queda de um avião, ‘tudo isso aconteceu no dia em que você foi embora’. Gostei muito do resultado da gravação e do clima do blues, que contou com um time da pesada, com Adriano Magoo, no piano, Sérgio Bello, no baixo, Edu Gomes, na guitarra, e Beto Ziegler, na bateria.”

4-“Una Canción”, de Juca Novaes, Eduardo Santhana e Diego Drexler

“Há alguns anos, fui com meus filhos adolescentes ao Rio de Janeiro e passamos na frente da casa da rua Nascimento e Silva, 107, onde Tom e Vinícius compuseram suas primeiras canções. O início da música saiu daí, da ideia de criação das canções. Meu parceiro Eduardo Santhana fez a segunda parte da melodia, e então convidei Diego Drexler, artista uruguaio muito talentoso,irmão de Jorge Drexler, e meu companheiro na luta pela defesa de direitos autorais [Juca Novaes também é advogado, especializado em direito autoral], para fazer uma parte da letra em espanhol. E ele fez isso muito bem, além de ter dividido a interpretação comigo. Fontanetti tocou guitarra e bolou a levada meio latina da canção, juntamente com Marcelo Mariano, que também tocou o baixo. Um destaque na gravação é o bandolim do Fábio Peron .”

5-“Quase Lá”, de Otavio Toledo e Juca Novaes

“Essa é uma parceria com Otavio Toledo, meu parceiro em várias outras canções e um grande criador de melodias. Fiz a letra em cima da música, e convidamos Toninho Horta, um amigo de muitos anos, para fazer o arranjo e tocar violão e guitarra, o que ele fez com sua maestria de sempre. Um time muito bom toca nessa faixa: Lisandro Massa, no piano e teclados; Marcelo Mariano, no baixo; e Serginho Machado na bateria.”

6-“Tríplice Aliança”, de Juca Novaes

“Fiz essa música numa viagem de carro de São Paulo para Avaré, e a letra utiliza uma expressão histórica de política internacional, a tríplice aliança, formada no final do século 19 entre Alemanha, Império Austro-Hungaro e Itália, para falar do encontro do casal com o amor que os une. Ficou com uma veia bem pop, com destaque para a guitarra do Edu Gomes. Nessa faixa, bem como na seguinte, os vocais são feitos pelas vozes femininas da família: minha filha Beatriz, minha sobrinha Bruna e minhas irmãs Maida, Lucia e Lucila.”

7-“Agora ou Nunca Mais”, de Sonekka e Juca Novaes

“Parceria com Sonekka, um dos mais importantes compositores da cena independente paulistana e meu amigo de muitos anos. Queríamos fazer uma música meio Bread, a banda americana dos anos 70, mas na gravação acabei fazendo um arranjo de piano -única faixa em que toco esse instrumento no disco- e saiu uma balada meio Elton John. Destaque para as guitarras do Edu Gomes e do Fontanetti.”

8-“Todo Dia Seu”, de Juca Novaes

“Uma toada que resultou numa das melhores gravações do disco. A letra parte de um texto que escrevi numa rede social, anos atrás, em homenagem à minha mãe, e que começa com a frase ‘Todo dia seu é dia santo’. Apenas três músicos participaram da gravação, aliás, três excelentes músicos: Neymar Dias, na viola; Ubaldo Versolato, no sax; e Sérgio Reze, na bateria. Fiz o arranjo vocal, que contou com algumas das vozes masculinas dos Novaes, o meu filho Tomás, meu irmão Ize, e os sobrinhos Lucas Caram e Paulo Novaes.”

9-“O mundo Não É Um Moinho”, de Juca Novaes e Alexandre Lemos

“Imaginava que essa música viria depois de ‘Todo dia seu’, na ordem do disco, pois a anterior acaba com o vocal masculino, e essa começa com o mesmo vocal. É a única canção do disco que não tem letra minha. Meu parceiro carioca, Alexandre Lemos, que é um craque da palavra, letrou o que era um tema instrumental que criei, com uma sequência harmônica progressiva, com acordes abertos. Ficou um clima anos 70, e tem como destaques o violão do Douglas Llora, e o sax do Ubaldo Versolato.”

10-“Enluarar”, de Barbara Rodrix, Rafael Altério e Juca Novaes

“Fiz a letra em cima de uma melodia de Barbara Rodrix e Rafael Altério, que começa numa levada [de compasso] 7/4. Fiz uma visita à Gargolândia, o estúdio do Rafael no interior de São Paulo, e ele me mostrou essa música, que adorei desde a primeira vez que ouvi. Rafael é um amigo de muitos anos, e juntos já temos dezenas de músicas. Barbara é muito talentosa, uma artista que merece ocupar seu espaço. A letra parece estar falando de uma pessoa, mas na verdade a personagem é a música, e fala da importância dela na minha vida. O clima da canção é emoldurado de uma forma muito competente pelas guitarras do Fontanetti e os teclados de Lisandro Massa.”

11-“Você Tem Razão”, de Juca Novaes

“Fiz essa música meio de brincadeira, para simbolizar a dificuldade de comunicação entre as pessoas nos dias de hoje. A intolerância política, a polarização, a impossibilidade de se fazer ouvir resulta numa vontade de dizer ao outro : ‘você tem razão’, pra encerrar a conversa ou a não conversa. E a letra desse blues se limita a repetir 20 vezes essa frase. Fizemos uma gravação base com os violões de Paulo Novaes e Lucas Caram, e depois foram gravados os outros instrumentos por alguns dos músicos da banda do Zeca Baleiro, que estava gravando seu disco na mesma época e no mesmo estúdio. No fim, minha voz-guia acabou ficando. Um hino do nosso tempo.”

CD REGALOS

ARTISTA Juca Novaes

DISTRIBUIDORA Tratore

QUANTO R$ 21

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