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Loucura que foi Tim Maia

Dentro da minha episódica carreira de produtor de festivais, subverti todas as recomendações racionais e acabei quebrando uma das regras básicas para os profissionais da área, naquela última década do século XX.

A primeira regra era : jamais contratar João Gilberto.

E a segunda regra : jamais contratar Tim Maia.

Não cheguei a me aventurar com João Gilberto, mas subverti a segunda regra. Em minha defesa, diga-se, como diria Jânio Quadros, que não fi-lo ou qui-lo por vontade própria, mas sim por força das circunstâncias.

A história é longa, e merece ser contada como uma suíte.

PRIMEIRO MOVIMENTO

Ocorre que em 1994, o show da final da Fampop, em Avaré, seria o de Lulu Santos. Já estava tudo certo. Por já “estava tudo certo”, entenda-se : estava apalavrado. Por “estava apalavrado”, entenda-se : estava no fio do bigode, entre a minha pessoa e o então empresário do artista, cujo nome fiz questão de esquecer.

(Lembro que naquela época não existia Internet, pelo menos não com a facilidade de acesso e a profusão que temos hoje. Os contratos artísticos, quando os contratantes moravam em cidades diferentes, eram enviados pelo correio, para a coleta da assinatura. No caso, o esquecível empresário do Lulu Santos, residente na cidade do Rio de Janeiro, firmou um compromisso comigo, no sentido de que o artista realizaria o seu show em Avaré, na noite do dia 10 de setembro de 1994, um sábado. E me enviou o contrato, com tudo acertado, para que eu o assinasse, e devolvesse a ele, que, finalmente, o assinaria, e me enviaria a cópia.)

O meu lado advogado me advertia a jamais contar com o compromisso sem o respectivo documento assinado. Estava eu, portanto, em São Paulo, aguardando o recebimento do contrato, já assinado por mim e enviado ao dito cujo, para anunciar o show à imprensa. E o contrato não chegava. Pior : o empresário de nome esquecível passou a não atender meus telefonemas.

Finalmente, depois de alguns dias de exasperante espera, e mais ou menos uma semana antes da coletiva de imprensa que anunciaria os shows, recebi dele um telefonema, num arrogante e carioquíssimo sotaque, e tivemos o seguinte diálogo:

– Cara, Lulu não vai mais fazer o show em Avaré !

– Como não vai fazer o show ?

– Não vai. Temos um show na sexta-feira numa cidade do interior do Rio, e pintou um show no dia seguinte numa cidade vizinha. Preferimos fazer por aqui mesmo, e não vamos fazer Avaré.

– Mas e o contrato, que já assinei e enviei pra você ?

– Não tem mais contrato. Não vamos fazer o show !

Fiquei indignado. Compromisso, acordo, palavra, não valia nada disso naquele mundinho arrogante. Mas, enfim, o que eu poderia fazer, tendo apenas uma semana pela frente para contratar um artista para o show de encerramento do festival ? Nada, absolutamente nada, a não ser buscar a contratação de outro artista, no curtíssimo prazo de que dispunha.

Liguei então para todos os empresários e produtores que conhecia e que não conhecia. Mas, àquela altura, faltando pouco mais de um mês para o evento, nenhum artista importante tinha data disponível.

Só me restou… Tim Maia.

E aí vem o …

SEGUNDO MOVIMENTO

Como era a praxe, procurei o telefone do empresário do Tim Maia (e não existia o google naquele tempo). Ao contrário dos demais produtores, que tinham escritórios, anúncios em revistas, PABX, etc., o número que me levaria ao polêmico artista era o de um apart-hotel da Barra da Tijuca. O telefonema foi recebido na recepção do estabelecimento, e transferido para um determinado apartamento. Aí atendeu uma mulher, que ouviu meu interesse sobre o artista (tem essa data disponível ? qual o cachê?), se disse representante da Vitória Régia Produções, e me pediu para passar um fax com todos os detalhes.

Fiz isso, e em cinco minutos recebi a resposta, também via fax : a empresária de Tim Maia queria o equivalente a quarenta e cinco mil dólares !!!

(Eu já sabia que o cachê de Tim Maia, em cruzeiros reais (moeda da época), correspondia ao equivalente a doze ou treze mil dólares. Sim, naquela época o plano real era recém-criado, e ainda tínhamos a cultura de atrelarmos a nossa moeda à americana. Reflexos de um tempos de inflação alta. No ano anterior – 1993 -, eu contratara os Paralamas, então no auge, por quantia equivalente a quinze mil dólares)

Quarenta e cinco mil dólares para o TIM Maia, portanto, era um verdadeira extravagância. Contrariado, enviei imediatamente um fax em resposta, dizendo mais ou menos o seguinte : “esse valor é absurdo, e eu não voltarei a conversar nem por um valor equivalente a um terço dos quarenta e cinco mil. Estou indo pra minha casa, o telefone é tal, e se tiver algum interesse em fechar esse show, aguardo seu retorno lá”. Do trajeto do estúdio, do qual era sócio, até minha casa, demorei cerca de vinte minutos. Lembro que também não tínhamos celular, naquele tempo.

Quando lá cheguei, já estavam gravados dois ou três recados na minha secretária eletrônica, pedindo para ligar urgente “pro seo Tim Maia”.

Retornei a ligação, e aí tive um diálogo hilário com a empresária, que, depois vim a saber, era Adriana, então mulher do artista. Ela falava, e audivelmente, alguém cochichava o que deveria ser dito. Era o próprio Tim Maia, a orientando sobre o que falar :

– “Seo” Tim faz por 25 (barulho de cochichos).

– Você não entendeu, minha filha. Eu só tenho doze !

– “Seo” Tim quer que você venha aqui conversar com ele ! (barulho de cochichos)

– Eu estou em São Paulo, vocês na Barra da Tijuca. Eu só tenho doze, entendeu ?

E desliguei, nervoso, pois percebi que aquele show nunca seria fechado. Quarenta e cinco mil era uma quantia impossível. Vinte e cinco mil também. Até uns quinze seria possível chegar, mas a distância ainda era muito grande…

Nisso, passados dez minutos, recebo insólita ligação;

– Sou Fulana de tal, Vitória Régia, São Paulo. Estou ligando para lhe comunicar que o Tim Maia concorda em fazer o show por doze mil dólares.

Foi a negociação mais incrível da minha vida : em uma hora, Tim Maia baixou de quarenta e cinco para doze mil dólares o cachê !

Se eu soubesse, no entanto, o que viria pela frente, certamente teria recusado o contrato, mesmo pelo valor mais justo possível.

E a partir daí começa o estressante…

TERCEIRO MOVIMENTO

Tinha uma batata quente nas mãos. Que loucura : contratei o Tim Maia ! E agora?

Liguei para Deus e o mundo, para toda e qualquer pessoa que tivesse algum vínculo com ele, para saber como proceder, que providências tomar para que aquele desastre anunciado fosse o menos traumático possível.

(Para os que não sabem, Tim Maia, alem de compositor inspirado e cantor sensacional, tinha larga fama de dar calotes, faltar a shows, desmarcar compromissos em cima da hora, comparecer bêbado ou drogado a apresentações, etc…)

Tinha (e tenho) alguns amigos que eram próximos do Tim, como o Skowa, por exemplo. O que me disseram :

Recomendação 1 : colocar o horário do show como uma das condições mais importantes do contrato. No caso, o show seria após a apresentação das músicas do festival. A previsão era a de que Tim Maia entrasse no palco à meia-noite.

Recomendação 2 : exigir do artista que viajasse para Avaré um dia antes do show. Explicação : para as viagens de avião, ele consumia tal quantidade de drogas e álcool, que o risco de que não tivesse condições de se apresentar não era pequeno, ao viajar no mesmo dia.

Segui as duas recomendações à risca, e no contrato constava que Tim Maia deveria estar em Avaré no dia 09, sexta-feira, véspera do show. Constava também que o show começaria pontualmente à meia noite.

Não aconteceu, no entanto, nem uma coisa, nem outra.

O vôo do dia 09 de setembro foi cancelado, por conta das chuvas no Rio de Janeiro.

Por conta disso, vim a conhecer pessoalmente Tim Maia em Avaré, no sábado, dia 10, dia do show, por volta das 14h00, recém-chegado de São Paulo, onde desembarcara, vindo do Rio de Janeiro, naquela manhã. Estava no seu quarto no hotel Villa Verde, cercado por três produtoras (Adriana e mais duas), e mais duas ou três pessoas.

Me impressionou, já de cara, a sua péssima forma física. Estava inchado, muito gordo, com uma coloração doentia. Visivelmente drogado ou embriagado. Uma garrafa de Ballantine´s quase vazia estava à sua frente. E um cigarro estranho que parecia um charuto, de tão grande e volumoso, nas suas mãos. Cheguei com Silvia, então minha namorada, e Tim, apresentado, assim falou, de bate-pronto :

– Pô careca, como é que você conseguiu essa mulher tão bonita ?

Aí alguém contou uma piada, e ele contou outra piada, e eu ri, todos riram. Ao me ver rindo, disparou :

– Brodinho, você está rindo porque eu vim. Porque você sabe que às vezes eu não vou…

E gargalhou da auto-piada.

Saí do quarto preocupadíssimo. “Esse cara não vai conseguir fazer o show”, pensei. Conversei com Adriana, a líder do triunvirato de mulheres. E ela me tranqüilizou, dizendo que Tim iria dormir à tarde, e que estaria OK quando chegasse a hora da apresentação.

Fui então cuidar de outros assuntos, e só retornei ao hotel no final da tarde, já quase noite.

Entrei no saguão, e o trio feminino estava já na entrada, com ares visivelmente preocupados. Senti na hora um frio na espinha, e Adriana me disse :

– Ele não dormiu, e quer falar com você.

Fui. Entrei no quarto, e a cena era bizarra : Tim Maia debruçado numa bancada do apartamento, frente a um espelho, e ao lado de uma vela acesa. Olhava para seu reflexo. Nem se virou quando entrei, e bradou, de bate-pronto :

– Brodinho ! Vou atacar às nove !

– Não dá, Tim. O show é à meia-noite, tem o festival antes…

– EU VOU ATACAR ÀS NOVE, SEU FILHO DA PUTA DO CARALHO..

(e aí teve início uma sucessão de xingamentos, aos berros… )

– Eu vim aqui nesse lugar longe do caralho por esse cachêzinho merreca, e eu vou atacar às nove, vou sim ! Senão vou embora agora pro Rio de Janeiro, me chame um táxi, eu vou embora agora, vou embora, vou embora…

Fiquei perplexo, completamente aturdido com aquilo, e saí do quarto. Por uma coincidência, no mesmo momento saia do quarto da frente o octogenário Silvio Caldas, “patrono” do festival, com um olhar muito assustado pelos berros do seu vizinho de apartamento.

Me dirigi à recepção do hotel, onde estava o trio de produtoras, e no caminho até lá tudo ficou claro na minha mente : Tim Maia não faria o show à meia-noite. É claro : ele sabia que o seu limite físico estava próximo, era questão de poucas horas. E não queria que acontecesse de novo aquela história : “Tim Maia não faz o show, Tim Maia drogado”, etc. e tal. Portanto, o seu corpo lhe dizia : “Cara, você tem no máximo umas três ou quatro horas, depois disso você vai desabar”. E ele precisava “atacar às nove”, como me pedia e gritava desesperadamente.

Cheguei até o trio feminino e disse que Tim Maia abriria a noite. Isso significava que ele entraria no palco por volta das nove e meia, dez horas. Fui até a recepção e liguei para o Prefeito da cidade, Miguel Paulucci, e lhe contei toda a estória, e que a única alternativa era invertermos o programa, e começarmos com o show do Tim Maia. Liguei ainda pra rádio que transmitia o evento, para que divulgasse a inversão da ordem do festival.

Parecia que estava tudo administrado. Mas não estava não. E isso porque meu relógio marcava ainda 19h30 ! Ou seja : eu teria que “enrolar” Tim Maia, naquele estado irascível, por, pelo menos, duas horas ! Na recepção, que estava um tumulto, por conta dos gritos do artista, localizei o dono do hotel, Benedito D`Agostini, meu amigo, cara experimentado, matreiro, que sempre me dizia : “Se precisar de alguma coisa, me chame” ! Pois lhe dei uma das mais espinhosas tarefas de sua existência.

– Agostini, preciso que você demore duas horas para levar o Tim Maia até o ginásio !

Com uma espantosa naturalidade, ele me respondeu :

– Deixa comigo, eu me viro.

Dito isso, olhei para a entrada do hotel e lá já estava Tim Maia, com uma roupa azul brilhante – a sua indumentária de show – impacientíssimo, dando voltas, esbravejando, querendo ir logo para o local da apresentação.

Chamei a Guete, produtora que eu contratara para cuidar do artista, e embarcaram os três, numa camionete cabine dupla do Agostini. Rumo ao Ginásio de Esportes de Avaré, para o qual demandariam cerca de quinze minutos, em situações normais. Naquela situação anormalíssima, sabe-se lá de que maneira, precisariam de duas horas.

Entreguei tudo para o Divino. E aí começou o …

QUARTO MOVIMENTO

Até hoje não sei exatamente o que conversaram Agostini, Guete e Tim Maia naquelas duas horas. Além do mais, Tim morreu em 1998, Agostini em 2007, só ficou a Guete pra contar a estória…Sei que foram para Arandu, Itaí, Cerqueira César, cidades próximas. A única forma de demorar todo esse tempo para chegar ao local do show era essa.

De quinze em quinze minutos, Tim bradava :

– Puta cidade grande do caralho ! Puta ginásio longe do caralho ! Nunca chega essa merda de ginásio !!!

E Agostini, habilmente, prometia lhe levar pra conhecer as “bocas de fumo” da cidade, pra mostrar não sei o que, e aí, enrolando aquele ser em estado impaciente e iracundo, conseguiu demorar duas horas para chegar ao ginásio, onde seria realizado o show.

A essa altura, o recinto estava bem cheio. Com capacidade para três mil pessoas, até as dez da noite lá estavam cerca de duas mil. Para isso, depois da chegada, tivemos que entreter Tim no camarim ainda durante uns vinte minutos. Levei o prefeito Miguel, com sua jovem esposa, Rosana. Tim não perdoou :

– Ô Prefeito, porque só tem prefeito branco, não tem prefeito preto no Brasil ?

– Quer trocar de mulher ? Eu dou essas três aqui, me dá em troca a sua bonitona aí!

Finalmente, depois de tanto stress, a excelente banda Vitória Régia começou a tocar, e Tim Maia entrou no palco.

Faltava, no entanto, um último incidente. Como o festival seria antes do show, na frente do palco fora reservado um espaço para o júri (que, naquele ano, tinha gente como Zuza Homem de Mello, Itamar Assunção, Celso Masson, Derico Sciotti, Helton Altmann, Sérgio Santos, Moacyr Luz). Quando a banda entrou no palco, Tim percebeu aquele vazio entre ele e a plateia. Parou tudo, gritou : “para, para, para !”, cruzou os braços, e ficou de costas para o público, gritando : “se não liberar aí não tem show !”

Os seguranças, com grande dificuldade, tentavam conter o público, que queria invadir o espaço reservado. Só me faltava essa agora ! Eu e Fábio Martins, da comissão organizadora, corremos para a frente do palco, gritando para os seguranças : “Libera !” “Libera !”

Liberaram, e em segundos o público tomou todo o espaço reservado ao júri.

E aí teve início uma mistura de show/embromation que durou uns cinquenta minutos.

Tim Maia estava visivelmente baleado. Cambaleando. Sem fôlego. Por sorte, a banda Vitória Régia era excelente. O cantor cantava apenas as introduções : “Me dê motivo”; “Eu preciso lhe falar”; “Vou pedir pra você voltar”, e as vocalistas e os músicos da banda faziam o resto. Enquanto isso, ele reclamava do som (“Mais retorno”, “mais grave”), jogava discos de vinil para a plateia, usava colírio, tomava líquido. Estava no seu limite.

Ergui as mãos para o céu e agradeci. Para mim, que sabia do seu estado deplorável desde as duas horas da tarde, era um milagre ele estar naquele palco, cantando ou embromando. Parecia que a partida estava ganha, mesmo que por um a zero, com um gol de pênalti duvidoso no final. Mas ganha.

Mas o drama tinha mais um capítulo ainda.

Como disse, Tim ficou cinquenta minutos em cima do palco, não aguentava mais, saiu de fininho e foi para o camarim. Se tudo acabasse ali, estaria no lucro. Chegou ao camarim e desabou, a ponto de precisarmos chamar um médico. Enquanto isso, não sei quem disparou o sinal de “bis” para banda. Não acreditei quando, vendo aquele corpanzil estirado no sofá do camarim, arfando, sem condições de se levantar, meus ouvidos foram invadidos pela introdução de metais de “Do leme ao pontal”, o bis clássico dos shows de Tim Maia.

Foi um pandemônio. Enquanto algum roadie avisava a banda que era pra cancelar a operação, eu corri atrás do apresentador, Beto Pampa, que teria a ingrata tarefa de dar continuidade ao festival, naquele anticlímax no qual duas mil pessoas aguardavam a volta de Tim Maia ao palco.

Durante uns cinco minutos, a banda Vitória Régia repetiu e repetiu “ad nauseam” aquela introdução de metais, sem saber como fazer para passar o bastão para o apresentador. Finalmente, combinaram entre eles o desfecho, e duas notas secas e agudas deram o fecho àquela patética performance. Aí entrou Beto Pampa :

– Boa noite, Avaré !

Vaia ensurdecedora. Enquanto isso, Tim Maia saia carregado do ginásio.

Menos mal que, após todo esse stress, as duas mil pessoas assistiram a uma das mais importantes edições da história do festival, que foi vencida pelo carioca Luiz Carlos da Vila, com “Carvão e giz” (parceria com Paulo César Feital), tendo entre os participantes autores e intérpretes como Zeca Baleiro, Carlos Careqa, Arrigo Barnabé, Aldir Blanc, Ivor Lancelotti, Virginia Rosa, Miriam Maria, Rita Ribeiro, Roberto Menescal, Rafael Altério, Lincoln Antonio, Paulo César Pinheiro, Fátima Guedes e Telma Tavares, dentre outros.

EPÍLOGO

Dois dias depois, estava eu frente à TV, vendo o mesmo Tim Maia no programa da Hebe, com a mesma roupa escarlate brilhante, o mesmo corpanzil inchado, a mesma atmosfera de visível embriaguez.

– Tim, meu querido, você está ótimo, que bom que nunca mais falaram que você bebe, que você tem problemas nos shows, não é mesmo ?

– Hebe, parei de fumar, cheirar e beber, só minto um pouquinho…

(Um aperitivo do livro de crônicas que lançarei, quiçá, em 2013)

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